
Jogadoras da seleção iraniana de futebol feminino durante a execução do hino nacional iraniano antes de partida na Copa da Ásia, em 8 de março de 2026.
Dave Hunt/AAP Image via AP
A Austrália concordou em conceder vistos a cinco jogadoras de futebol do Irã nesta segunda-feira (9).
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Após um apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Ministro do Interior do país, Tony Burke, deu a notícia a repórteres e afirmou que outros membros da equipe também seriam bem-vindos a permanecer caso desejem.
O governo do Irã classificou a equipe como “traidora em tempos de guerra” após as jogadoras se recusarem a cantar o hino do país antes de uma das partidas da Copa da Ásia, que está ocorrendo na Austrália.
A seleção iraniana perdeu o último jogo e teria de regressar ao Irã, mas associações de torcedores iniciaram um movimento pedindo que a Austrália concedesse asilo ao time. Segundo elas, as jogadoras vinham enviando sinais de socorro durante as partidas e pela janela do hotel onde ficaram hospedadas.
Nesta segunda-feira, Trump se juntou a eles e contou ter conversado com o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, sobre o caso.
Em publicação na sua rede social Truth Social, Trump disse que a Austrália estava “cometendo um terrível erro humanitário” ao permitir que a seleção feminina de futebol iraniana fosse enviada de volta ao Irã. Ele pediu ao primeiro-ministro australiano que concedesse asilo às jogadoras da equipe e disse que estava disposto a acolher o grupo, caso a Austrália se negue.
“A Austrália está cometendo um terrível erro humanitário ao permitir que a Seleção Nacional Feminina de Futebol do Irã seja forçada a retornar ao Irã, onde muito provavelmente serão mortas. Não faça isso, Sr. Primeiro-Ministro, conceda ASILO. Os EUA as acolherão se o senhor não o fizer”, escreveu o norte-americano.
Após a publicação, Trump disse ter falado com o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, e afirmou que o premiê “está cuidando” do assunto. Segundo o presidente norte-americano, Albanese afirmou que cinco jogadoras da seleção do Irã já haviam sido “atendidas” pelo governo australiano.
A declaração do republicano contrasta com a política anti-imigração de seu governo, que deportou centenas de iranianos no ano passado.
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A Associação Internacional de Jogadores de Futebol (FIFPRO, na sigla em inglês) afirmou nesta segunda-feira (9) ter “sérias preocupações” com a seleção feminina iraniana de futebol.
A campanha das iranianas na Copa da Ásia, sediada na Austrália, começou no último fim de semana, justamente quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã.
A equipe iraniana foi eliminada no domingo (8), após perder por 2 a 0 para as Filipinas. Torcedores agitaram a bandeira iraniana anterior a 1979, vaiaram o hino nacional e tentaram impedir a saída do técnico da equipe, gritando “Salvem nossas meninas!”, em meio a preocupações com a segurança das jogadoras após o silêncio durante o hino.
Mais de 66 mil pessoas também assinaram uma petição pedindo ao governo australiano que garanta que as jogadoras, que estão em Queensland, não deixem o país “enquanto persistirem temores por sua segurança”.
O presidente da FIFPRO para a Ásia e Oceania, Beau Busch, afirmou que a federação não conseguiu contatar as jogadores para discutir se elas gostariam de pedir asilo à Austrália.
“A realidade no momento é que não conseguimos entrar em contato com as jogadores. Isso é extremamente preocupante. Não é novidade. Isso vem acontecendo desde que a repressão se intensificou em fevereiro e janeiro”, disse Busch a repórteres.
“Portanto, estamos realmente preocupados com as jogadoras, mas nossa responsabilidade agora é fazer tudo ao nosso alcance para garantir que elas estejam seguras”.
Busch disse que a organização está trabalhando com a Fifa, a Confederação Asiática de Futebol e o governo australiano para garantir que “toda a pressão seja exercida” para proteger os jogadores e dar a eles “autonomia sobre o que acontecerá a seguir”.
“É uma situação realmente desafiadora”, disse ele. “Pode haver jogadoras que queiram retornar. Pode haver algumas jogadoras dentro do grupo que gostariam de pedir asilo e permanecer na Austrália por mais tempo”.
‘O ápice da desonra’
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A decisão das jogadoras de permanecerem em silêncio durante o hino nacional do Irã antes da primeira partida, contra a Coreia do Sul, foi considerada por um comentarista da emissora estatal iraniana como o “ápice da desonra”.
“Traidores em tempos de guerra devem ser punidos com mais severidade”, afirmou o apresentador Mohammad Reza Shahbazi.
Quando cantaram o hino e prestaram continência antes da segunda partida contra a Austrália, isso gerou temores entre ativistas de direitos humanos de que a equipe tivesse sido coagida por agentes do governo.
A técnica da seleção iraniana, Marziyeh Jafari, afirmou apenas que as jogadoras estavam ansiosas para retornar ao país. “Estamos aguardando ansiosamente o retorno”, disse ela em uma coletiva de imprensa após a partida.
A maior parte do espaço aéreo no Oriente Médio permanecia fechada nesta segunda-feira devido à guerra no Oriente Médio.
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9 de março de 2026/
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